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“Saiba mais dos bastidores do fracasso palmeirense‏”

dezembro 11, 2009

Texto escrito por Milly Lacombe. Não é uma jornalista que eu gosto, mas o texto me parece coerente e bem real.

Que bagunça meu Deus, o time ja não era grande coisa, e ainda com tudo isso, e tem gente que acaba campeão e nem sabe por quê…

O Palmeiras tinha acabado de ser derrotado pelo Botafogo, no Engenhão, quando, cabisbaixos, os jogadores desceram para o vestiário e viram a seguinte cena: o preparador físico do Palmeiras, Omar Feitosa, chorando.

A frustração, segundo o que ele confidenciou a presentes na ocasião, vinha do fato de saber que aquele era um time que deveria estar voando em campo. “Eles estão no auge do preparo físico, estão tinindo, e você olha em campo e eles não andam. Por que, meu Deus?”.

A resposta estava na incrível falta de motivação do elenco que era considerado o melhor da competição, possível campeão por antecipação.

“A palestra do Muricy dá sono”, diz uma fonte ligada à diretoria do clube. “Ele não é um cara de motivação, ele é um cara de treinamento. E o grupo do Palmeiras, na reta final, precisava de motivação, de tesão. Diante dos acontecimentos das últimas semanas, eles estavam psicologicamente moídos, amedrontados, desconcertados”, disse, referindo-se à série de atos violentos praticados por alguns torcedores contra os jogadores.

E seguiu: “tinha jogador com medo de ir ao banheiro em aeroporto, com medo de apanhar. Chegaram ao Engenhão, para o jogo que valia o título, cercados de proteção, entraram agachados, como se fosse uma guerra. Quem agüenta isso e continua motivado?”, perguntou.

Muricy e Luxemburgo

Em seguida, colocou na mesa a diferença entre Muricy e Luxemburgo. “Quando o Luxemburgo tá a fim de trabalhar, a preleção dele faz o cara entrar em campo mordendo a grama. Ele sabe que o psicológico ganha jogo, que decide”.

Muricy não acredita nisso, acredita em trabalho. “Mais ou menos como era o Felipão, mas o Felipão sabia que precisava motivar os caras no vestiário, então ele trazia um padre do Rio Grande do Sul, que era amigo dele e bom nisso, ou chamava o Zé Roberto (Guimarães, treinador da seleção feminina de Vôlei).”

Muricy, ame-o ou deixe-o

Muricy é, sabidamente, um treinador que não se envolve com o jogador além do campo. Ele não quer saber quem está se separando, quem está com problemas em casa, quem está com a mãe doente, quem está sendo traído. Não fica no mesmo andar do elenco em concentrações, não vai a churrasco de jogador, não brinca com eles durante o vôo. Esse é seu estilo e foi assim que, no São Paulo, Muricy conquistou por três vezes seguidas o título nacional.

Portanto, talvez não seja o caso de se fazer aqui juízo de valor. Esse é Muricy. O mesmo que funcionou no São Paulo e que não está funcionando no Palmeiras.

As razões são claras: no São Paulo, a estrutura está ali a serviço do treinador. Milton Cruz, Carlinhos Neves e Marco Aurélio Cunha são os caras que mantém o grupo numa mesma pulsação, são os que falam a linguagem do boleiro, os que resolvem questões pessoais e oferecem o ombro amigo.

Além deles, Juvenal Juvêncio, mesmo a distância, está por dentro de tudo o que acontece com a vida de cada um de seus jogadores. Nesse cenário sólido e que não muda há muitos anos, o solitário e talentoso Muricy pôde desfrutar paz de espírito para brilhar a ponto de ser tricampeão brasileiro.

No Palmeiras, a coisa não é assim. E vai para o avesso disso.

Genese

Os problemas palmeirenses começaram quando o presidente Luiz Gonzaga Beluzzo demitiu Vanderlei Luxemburgo sem avisar ou sequer consultar Gilberto Cipullo, vice-presidente de futebol e um dos responsáveis pela eleição de Beluzzo à presidência palmeirense.

Era um sábado, 27 de junho, e o Palmeiras estava na 4º posição na tabela, atrás de Atlético-MG, Internacional e Vitória. Sete pontos à frente do São Paulo e 2 do Flamengo.

Sempre orientado por um grupo de cinco amigos em quem confia, entre eles o Governador do Estado José Serra e o diretor financeiro do clube, Fabio Raiola, Beluzzo tomou a decisão e a executou.

Raiola, amigo de Muricy, fez contato com o ex treinador do São Paulo a fim de levá-lo ao Palmeiras. E Cipullo permanecia alheio à negociação.

Enquanto isso, o coordenador da base, Jorginho, assumia interinamente um clube que tinha a estrutura de Luxemburgo, um cara que comanda até o motorista do ônibus e que usava o gerente de futebol, Toninho Cecílio, como ponte para “escutar” o grupo.

Sem mexer nessa estrutura e sem perder o controle do grupo, Jorginho fez campanha de sucesso à frente do Palmeiras: 5 vitórias, 1 empate, 1 derrota. Deixou o time na 2º colocação na tabela – 10 pontos à frente do São Paulo e a 8 do Flamengo. O G4, nessa 14º rodada, era formado por Atlético-MG, Palmeiras, Vitória e Internacional.

Quando Muricy assumiu, na 15º rodada, Toninho começou a perder espaço e, isolado, deixou de fazer o trabalho de aproximar o grupo e seus problemas da diretoria. Como Cipullo continuava alheio às principais decisões de Beluzzo e Muricy não se metia nisso, a diretoria perdeu completamente o contato com o grupo.

Para piorar o cenário já suficientemente caótico, Marcos, o líder do time, entrou em rota de colisão com Toninho, e o elenco, psicologicamente abandonado, rachou em grupos: o grupo de Marcos, o grupo de Diego Souza, o grupo de Vagner Love.

Fogo amigo

E, como se já não houvesse aí barulho interno de bom tamanho, o grupo Família Palestra, tendência política dentro do clube que está ligada a Paulo Serdan, presidente de honra da Mancha, e a Sergio Pellegrino, conselheiro do clube, começou a usar a torcida organizada para deixar claro o que pretendia: desestruturar o grupo, afastar Cippulo, Toninho Cecílio e Cia. e ganhar força política.

Desse modo, quer ficar com o comando da base palmeirense e fazer de Salvador Hugo Palaia, atual primeiro vice presidente do clube, o homem forte do futebol profissional.

Beluzzo, a essa altura já zonzo com tanto pontapé amigo, autorizou que Raiola começasse a freqüentar os vestiários, talvez numa tentativa desesperada de reintegrar o elenco psicologicamente.

A oposição, que até agora estava quieta, deve começar a fazer barulho, armada de números que tendem a pintar um quadro de fracasso da atual administração: custos + gastos – resultados (o Palmeiras ainda paga, mensalmente, R$ 500 mil a Luxemburgo, pela rescisão contratual, mais os R$ 400 mil de Muricy).

O cenário hoje

Raiola, amigo de Muricy, quer que Cipullo deixe o cargo.

Cipullo, embora desanimado com o isolamento, talvez permaneça no clube porque a Traffic, parceria do Palmeiras, já deixou claro que se Cipullo sair, sai a Traffic também.

Toninho Cecílio, que com Luxemburgo tinha função importante, hoje é chamado de traíra pelo grupo, que avalia que ele era uma pessoa na época de Luxemburgo e passou a ser outra com Muricy.

Muricy, assustado, já está com proposta do Internacional e essa semana se reúne com Beluzzo e Cipullo para definir futuro.

Cipullo não quer necessariamente a cabeça de Muricy, que avalia como excelente treinador, mas exige voltar a ter o comando do futebol.

A Família Palestra não quer que Cipullo permaneça e faz o que pode para desmoralizá-lo.

Para dar a Cipullo o comando, Beluzzo terá que contrariar o grupo de amigos que o aconselha, que envolve Raiola.

Mustafá Contursi, apoiado por Afonso Della Monica e até agora adormecido, deve reaparecer. Tudo indica que a oposição pretende não aprovar o balanço do Clube e, assim, abrir margem para um impeachment.

E jogue-se bola com um barulho desses.

One Comment leave one →
  1. pcavalcanti permalink*
    dezembro 17, 2009 10:43 pm

    Grande texto B! Obrigado por dividir…

    O meu comentário em relacao a isso é o seguinte:

    O Palmeiras tem muitos problemas, mas o Cipullo nao é um deles!

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