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Um Teto Para Meu País – Parte 2

julho 30, 2010

1ª Casa

 

No primeiro dia de construção, acordamos por volta de 5:30am (horário que seria normal para os dias subseqüentes) e fomos conhecer os nossos times. Meu time era composto por:

Felipe – 21 anos – estudante de Publicidade – trabalha com seguros (Líder);

Rafael – 23 anos – recém formado em Direito e proveniente da longínqua Londrina;

Isa – 22 anos – estudante de Medicina em Campinas;

Le – 22 anos – estudante de Arquitetura da USP e também do interior de SP;

Eu – 23 anos – recém-formado em Administração e que não sabia absolutamente nada de construir uma casa.

Logo foram divididas as equipes, demos uma alongada e já fomos subir o morro para começar a nossa 1ª construção. Neste momento a minha sorte peculiar apresentou-se mais uma vez e eu tive a manha de ser selecionado para a casa mais longe de todas (e com direito a MUITAS subidas).

Quando chegamos lá conhecemos a Patrícia, futura dona da casa. Moradora de Colinas há muito tempo, essa moradora de 24 anos é mãe de 3 filhos lindos: Suelen (6), Cibele (4) e Samuel (2), e esposa do Silas (27), que trabalha como vigilante na fábrica de Perdigão, sempre no turno da noite.

No primeiro dia, muita ralação e pouco resultado! Nós tínhamos a meta de colocar os 15 pilotis, as vigas e finalizar com os painéis de piso, mas devido a um piso extremamente duro e principalmente a falta de experiência do time, tivemos que nos contentar com 11 pilotis e sabendo que o dia seguinte seria pauleira, pois deveríamos entregar a casa pronta no final do dia seguinte! Neste dia, saímos da casa da Patrícia por volta das 19h, pois fomos avisados pela equipe de organização que não poderíamos ficar até mais tarde, uma vez que aquela região do morro era perigosa à noite.

Este foi o primeiro momento em que realmente me dei conta de que estava em uma favela. Apesar das pessoas extremamente amistosas, do clima de companheirismo constante entre os voluntários e dê muitos sorrisos vindo de todas as partes apesar do trabalho duro, nós não podíamos esquecer onde estávamos.

Encontramos-nos com as outras equipes e regressamos ao colégio. Nesta hora concretizou-se um dos maiores receios de todos os novos voluntários: realmente não teríamos banho nos próximos 5 dias! A minha assepsia consistia em: lavar mãos e antebraços, rosto, água no cabelo e uma muda de roupa limpa. Tenso é claro, mas sinceramente só mais um desafio por uma causa mais do que justa.

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No segundo dia de construção contamos com o suporte de outra equipe para agilizarmos nos pilotis e no piso e o dia acabou sendo bem produtivo para a construção, visto que términos os pilotis, piso e subimos todos os painéis.

Porém, chegada à noite, ainda faltava fixar os painéis no piso e fazer todo o telhado. Deadline não atingida.

Ficou decidido que terminaríamos no dia seguinte. Isso acabou me deixando um pouco triste, pois isso significava que impreterivelmente utilizaríamos ao menos parte do domingo para construir, o que tomaria o tempo que havíamos reservado para confraternizarmos com as famílias. Mas tudo bem, cabia a nós terminar até a hora do almoço a casa da Patrícia e depois fazer a última em 2 dias como o previsto e ainda sobraria metade do domingo.

Por volta das 19h descemos de novo para o ponto de encontro na Rua Gonzaguinha, mas dessa vez o discurso foi diferente. Os líderes da escola haviam decidido que por aquela ser uma rua segura, os times trabalhariam até mais tarde para entregar as 3 primeiras casas dentro do prazo, porém toda a ajuda possível era necessária.

Foi feita a divisão: os mais cansados voltaram pro colégio a fim de comer, dormir e acordar com todo o gás no dia seguinte e aqueles que ainda tinham alguma energia ficaram. Optei pelo segundo time e acabamos entregando a casa da Dona Sílvia por volta da 1 da manhã.

Que momento incrível! O choro do líder da equipe junto ao da própria Dona Sílvia ao entregarmos a casa foi simplesmente comovente. Ao pensar que todo o barraco dela havia sido derrubado e eles estavam contando com a ajuda de vizinhos nos dias das construções, foi simplesmente lindo vê-los entrar naquilo que dali em diante eles chamariam de casa. Obrigado pelas doces palavras Dona Sílvia!

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Acordar no terceiro dia foi complicado. Muito sono acumulado e a dor estavam no pico! Tudo doía: mão, antebraço, pé, ossos da bunda, pulsos e por aí vai.

Isso infelizmente acabou por prejudicar o desempenho de praticamente todos os times, incluindo o nosso! Só conseguimos terminar a casa às 19h do terceiro dia, completamente exauridos e muito pouco confiantes de que conseguiríamos entregar a segunda casa até o fim do domingo (confraternização a essa altura já tinha ido pro espaço), pois teríamos somente 2 dias para isso.

 

Continua….

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