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Uma idéia mais próxima do custo da ineficiência.

janeiro 20, 2012

Viajo hoje e tenho absoluta certeza de que algum problema vai ocorrer com o horário do vôo, portão de embarque, etc. Como não faço viagens com freqüência, acredito que a maioria dos ocorridos deve-se à Lei de Murphy. O ponto é que deveria estar escrevendo sobre um assunto econômico mais divertido, mas não resisti à tentação de adicionar um comentáriosobre custo de ineficiências.

Um astrofísico americano bolou um método para diminuir o pesadelo em aeroportos. O estudo concentrou-se na análise do efeito de dois problemas que causam gargalos durante o embarque em aeronaves: (i) passageiros são forçados a esperar no corredor enquanto os que estão na frente guardam bagagens e (ii) passageiros já acomodados em assentos no corredor ou no meio têm que se levantar para abrir espaço aos acomodados nas janelas.

O procedimento normalmente sugerido – e frequentemente ignorado – é embarcar primeiro os passageiros que estão nas últimas fileiras. O físico demonstra as vantagens de um método alternativo. Não entrarei aqui em detalhes, notando apenas que o desenho não parece ser algo que exigisse o cérebro de um doutor em astrofísica.

Considerando que um avião de porte médio transporta algo como 150 passageiros, é possível inferir que o método do professor Pardal permite reduzir o tempo de embarque de algo como 15 minutos (supondo que o “embarque por blocos” é respeitado à risca) para 7,5 minutos.

De acordo com o artigo, o custo de um minuto em um terminal aeroportuário é de USD 30. Creio que este seja um parâmetro médio internacional, provavelmente menor do que o custo efetivo brasileiro, por razões evidentes. Os cálculos a seguir têm, portanto, viés conservador.

Dados da ANAC revelam que 781 mil passageiros embarcaram no aeroporto de Congonhas com destino ao Rio de Janeiro no primeiro semestre de 2009 (últimas informações). Estimo que este número tenha crescido para 1 milhão de passageiros, usando a taxa de crescimento do fluxo total de passageiros neste aeroporto de acordo com a Infraero. Grosso modo, estimo então um total de 2 milhões de passageiros no ano inteiro (de SP para o RJ).

Usando a estimativa de 150 passageiros por vôo, estamos falando de algo como 13,3 mil decolagens. Não sei se é exatamente isso, mas cerca de 1000 decolagens por mês parece fazer sentido. Estes números sugerem que a economia de tempo ensejada por um procedimento trivial pode significar, conservadoramente, USD 3 milhões a mais no bolso das companhias aéreas – uma parte poderia ser repassada ao preço, beneficiando consumidores. Lembre-se que só estou considerando o trecho SP-RJ em Congonhas. Some-se o trecho RJ-SP e todos os demais e este número sobe fácil para a faixa de USD 10 milhões.

Ganhar eficiência no embarque é algo que não depende apenas das companhias. A educação dos passageiros é também uma variável importante. Evitar o “reposicionamento” de aviões parece ser algo mais simples. O ponto é que coisas triviais (ainda que misteriosas) podem custar caríssimo para todos nós.

Houston, we have a problem...

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